quarta-feira, 20 de março de 2013

Dura realidade (parte 4)

Fiquei sabendo que ali no Vita eu faria o retalho cirúrgico, um, talvez dois enxertos, e a troca do fixador Ilizarov por um melhor, na verdade, um mais adequado ao meu caso. Meu médico entrou com o pedido do Ilizarov, poucos dias depois de minha chegada no Hospital, e esse só foi liberado pelo meu plano, quarenta e cinco dias após o pedido.

Bem, a primeira etapa já havia sido feita com sucesso, e não houve rejeição do retalho, que era uma das principais preocupações nossas. Enquanto me recuperava da cirurgia do retalho, Dr. Claus ia me explicando e me preparando para o próximo passo, que eram os enxertos.

A primeira cirurgia do enxerto, durou pouco mais de duas horas e a área doadora definida foi a parte inferior da coxa direita, a qual hoje já se encontra cicatrizada; no segundo enxerto foi retirada pele da parte lateral externa e superior da coxa esquerda 
 (a lesionada).

Não poderia imaginar que a fase de reabilitação, em ambas cirurgias, seriam tão complicadas e difíceis. Foram muitos e muitos dias de dores, sendo que em cada uma das regiões senti durante a cicatrização, que o local queimava, ardia e havia muita secreção. Imaginem só, ter que aguentar todas as dores causadas pela própria lesão e ainda ter que suportar uma extra. Mais de onze meses depois, ainda há na coxa esquerda, uma parte, ainda que pequena, que não cicatrizou, ainda há secreção e pus; pelo menos não dói.

Até é fácil entender porque há tanta resistência à cicatrização nessa área, pois a perna sofreu muitas lesões, perdeu duas artérias, músculos e com isso, todo processo de vascularização, como já havia mencionado anteriormente, ficou comprometido. Então essa demora pela cicatrização, chega a ser normal e olha que foram feitos vários tipos de curativos diferentes, usando vários cremes, pomadas e óleos.


                    Área doadora do segundo enxerto (depois de cinco meses ainda não cicatrizada).
                     
Bem, no mês de maio foi o retalho cirúrgico e um monte de debridamentos. No mês de junho foram os dois enxertos e mais uma vez, um monte de debridamentos. Julho ocorreu, finalmente, a liberação por parte da Unimed, do Fixador Ilizarov.
Na troca do fixador, a cirurgia foi de quatro horas de duração com anestesia raquidiana e sedação. No final da sedação ainda deu para ouvir sons não muito agradáveis como o da broca da furadeira entrando no osso.


Não tenho foto do primeiro fixador. Essa foto abaixo já é do fixador atual, que tem cinco anéis (hoje na verdade, quatro). As setas vermelhas são arames que atravessam ossos e músculos, de lado a lado (vários), as setas amarelas, são os dois arames que estão presos ao osso e na outra extremidade aos parafusos, que eram ajustados com a frequência orientada pelo médico ( no meu caso, inicialmente de oito em oito horas e depois de doze em doze), fazem o osso crescer e por consequência, fazem o transporte ósseo. Tive que fazer um transporte ósseo de dezessete centímetros.

E as setas azuis, são pinos que são parafusados diretamente, no fêmur, no joelho e abaixo do joelho (o que sobrou da tíbia). Tudo isso com a finalidade de dar a maior imobilidade possível à perna.



No começo, tudo assusta. Quando vemos aquele mundo de ferros (o meu fixador é feito de fibra de carbono e titânio, chique!!!), a gente se apavora. Não vou mentir, que no início incomoda e dói. Mas em pouco tempo, dá pra andar com o fixador, claro que com um monte de limitações, mas as dores iniciais somem. Depois, vez ou outra aparece um fio ou um pino inflamado e ai vem uma dor que às vezes pode durar um dia ou alguns dias, mas acaba passando. Mas não acaba aí não, quando a dor de um passa, aparece outro para te deixar doido (risos).
Tem muita gente que sai andando de muletas, outros ficam um bom tempo em cadeira de rodas. Eu saí da cama no hospital, me locomovendo com andador, acho bem mais confortável que as muletas e no meu caso, bem mais seguro.
Fiquei no Hospital o restante do mês de julho e o início de agosto, me recuperando e me adaptando ao fixador, quando tive alta finalmente.

Como minha irmã mora em Curitiba, fiquei ainda uns vinte dias em sua casa. Nesse período tive que contratar um enfermeiro para ficar comigo por meio período. O Fernando é uma grande pessoa, um "cara muito gente boa". Ele chegava pela manhã e a primeira coisa que fazia era me servir o café na cama (eita mordomia), depois me levava até o jardim para tomar sol, que era um "baita" sacrifício, pois onde minha irmã mora tem uma escada de vários degraus em cada bloco, depois me ajudava no banho, ai assistíamos algum filme ou ficava na internet, dai ele buscava nosso almoço, almoçávamos e lá pelas duas da tarde me colocava na cama e ia embora. 

Nesses vinte dias que ainda fiquei em Curitiba, o Fernando ainda me acompanhou ao Hospital Vita, umas três vezes para consulta (debridamentos), e também uma vez que fiquei apavorado, quando ele descobriu que eu estava com miíase.

O que é Miíase?


Ps.: Quero aproveitar o final deste post, onde termino com o relato de minha alta do Hospital Vita, para deixar aqui registrado meu mais sincero e profundo agradecimento ao Dr. Claus, médico de extrema competência que passa todas as informaçoes com muita segurança, clareza e detalhes. E por se mostrar além do médico que é, uma pessoa humilde e humana. Muito obrigado por tudo!
Não poderia deixar também de agradecer a toda a equipe do Hospital Vita (a equipe de enfermagem, da copa e da limpeza).

2 comentários:

  1. Muito bom o post Arthur. E venho através desse comentário deixar registrado o quanto agradeço a deus por ter colocado o Dr.Richard Luzzi na minha vida. Nasci com uma deformidade congênita (Hemimelia Fibular)e as unica alternativa era o uso de uma ortese. Comecei a pesquisar na internet algum método para o meu caso, e logo veio o nome do Dr.Richard. Fiz a primeira consulta e a confiança que senti nele foi tanta que se pudesse a partir dali fazer a cirugia naquele momento, faria tranquilamente e confiante. Depois de alguns meses, se organizando para ir pra Curitiba (Sou de Salvador), finalmente tinha chegado o dia (12/02/13). Fui confiante, ansioso e feliz. Coloquei o fixador Taylor Spatial Frame (mais avançado do mundo, na tibia. Por incrivel que pareça, não senti exatamente nenhuma dor no pos-operatorio e durante o tratamento, a não ser uma dor de cabeça forte devido a anestesia, somente isso. Ainda tenho o fixador na perna e já atingi 5CM de osso novo. Fiz a segunda etapa no inicio de agosto (tambem na tibia) e não tenho palavras pra expressar a minha felicidade, eterna gratidão ao Dr.Richard, excelente profissional, que além de um médico, é um amigo.
    Abraço.

    PS: A minha diferença de uma perna pra outra eraaproximadamente 13CM, sendo que já ganhei 5CM.

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  2. ai meu deuuus miíase

    tapuru ��������

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